Em 27 de outubro de 2016, o Governo da República do Malawi e a IHRDA estabeleceram um novo precedente em litígios sobre direitos da criança em África, ao alcançarem um acordo amigável histórico num caso contra a República do Malawi perante o Comité Africano de Peritos sobre os Direitos e o Bem-Estar da Criança (ACERWC).
O acordo inovador foi alcançado sob os auspícios da ACERWC, reunida em sua 28ª sessão.o Sessão Ordinária em Banjul, Gâmbia.
Em 2014, a IHRDA apresentou uma comunicação contra o Malawi perante a ACERWC, contestando a definição de “criança” na Constituição do Malawi. O artigo 23(5) da Constituição do Malawi define criança como qualquer pessoa com menos de dezesseis (16) anos, em contradição com o artigo 2 da Carta Africana dos Direitos e Bem-Estar da Criança, que define criança como qualquer ser humano com menos de dezoito (18) anos. Como resultado dessa discrepância de idade, as pessoas entre 16 e 18 anos não têm recebido a proteção prevista nas obrigações internacionais do Malawi.
Em reconhecimento disso, o Governo do Malawi informou a ACERWC que já havia iniciado um processo de construção de consenso nacional para instituir uma emenda constitucional a fim de adequar sua legislação à disposição da Carta sobre a definição de criança. Nesse sentido, o Governo contatou a IHRDA e propôs uma solução amigável para o caso que estava agendado para audiência no dia 28.o Sessão Ordinária do ACERWC, com o objetivo de se comprometer formalmente com as reformas necessárias.
De acordo com o acordo, o Malawi compromete-se a “fazer tudo ao seu alcance para emendar a sua Constituição e todas as outras leis relevantes, de modo a estarem em conformidade com o artigo 2.º da Carta Africana dos Direitos e Bem-Estar da Criança até 31 de dezembro de 2018”, e a apresentar relatórios periódicos à Comissão Africana dos Direitos e Bem-Estar da Criança (ACERWC) sobre “os progressos realizados na implementação deste Acordo”. É importante salientar que o Malawi também se compromete a tomar medidas provisórias, administrativas e outras para proteger as crianças no Malawi durante o período em que o processo de reforma legislativa estiver concluído.
Durante as discussões, o Presidente da ACERWC, Prof. Benyam Dawit Mezmur, comentou: “…Agradeço sinceramente à República do Malawi pelo seu sentido de responsabilidade e boa vontade na implementação de medidas para promover o melhor interesse da criança… Espero que, no nosso próximo encontro, seja para agradecer e aplaudir o Malawi pelos progressos alcançados a este respeito…”.
A iniciativa do Governo do Malawi de resolver o caso contencioso de forma amigável é a primeira do gênero na história da ACERWC e constitui um bom exemplo de resposta proativa do Estado para a região.


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