Breve resumo dos fatos
Na noite de 14 de outubro de 2004, um grupo de indivíduos mal armados e desorganizados atacou a pequena cidade de Kilwa, no sudeste do país. Autodenominando-se Movimento Revolucionário de Libertação do Katanga (MRLK), eles tomaram a cidade e cerca de 100 jovens se juntaram voluntariamente às suas fileiras. Nenhuma violação dos direitos humanos foi relatada durante esse período.
Pouco depois, a empresa australiana Anvil Mining acionou a 62ª Brigada de Infantaria do exército congolês, estacionada em Pweto, a cerca de 135 km de distância, e forneceu caminhões, motoristas, alimentos e outros tipos de apoio logístico para facilitar o deslocamento dos soldados até Kilwa.
O exército invadiu a cidade com todas as suas forças, bombardeando casas e realizando prisões arbitrárias, detenções ilegais, tortura, saques e execuções sumárias.
Uma investigação da Missão das Nações Unidas no Congo (MONUC), realizada entre 22 e 24 de outubro de 2004, contabilizou 73 mortos, incluindo execuções sumárias de 28 detidos. Em 2007, oito comandantes do exército e três funcionários da Anvil Mining foram levados a um tribunal militar, mas o caso foi arquivado. Um recurso contra essa decisão também foi rejeitado por irregularidades processuais, bloqueando assim qualquer possibilidade de reparação para as vítimas em âmbito nacional.
Alegadas violações da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos
Os queixosos alegaram a violação dos seus direitos garantidos pela Carta Africana. Em particular, alegam violações dos seguintes direitos:
Artigo 1º - Obrigações dos Estados-Membros
Artigo 4º – Direito à vida
Artigo 5º - Proibição da Tortura
Artigo 6º - Proteção contra prisão arbitrária
Artigo 7(1) Direito a um julgamento justo
Artigo 14 – Direito de Propriedade
Artigo 26 - Dever de Garantir a Independência dos Tribunais
Local
Esta comunicação foi apresentada à Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.
Estado da comunicação
O povo de Kilwa, representado pela IHRDA, Action contre l'impunité des droits humains (ACIDH) e Rights and Accountability in Development (RAID), apresentou uma comunicação à Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (ACmHPR) contra a República Democrática do Congo.
Esta comunicação foi considerada admissível durante o 15ºo Sessão Extraordinária da Comissão Africana realizada em Banjul a partir de 7 de maioo para 14o Março de 2014.
Parceiros de Litígios
Os parceiros de litígio da IHRDA nesta comunicação são a Action contre l'impunité des droits humains (ACIDH) e a Rights and Accountability in Development (RAID).

Instituto para os Direitos Humanos e o Desenvolvimento na África (IHRDA)
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