Conacri, 7 de agosto de 2024: A IHRDA e a Les Mêmes Droits pour Tous (MDT) concluíram um diálogo público com as principais partes interessadas na Guiné sobre a implementação das sentenças do Tribunal de Justiça da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Tribunal da CEDEAO) em alguns casos relacionados ao uso de tortura por agentes da lei na Guiné.
O evento, que reuniu instituições governamentais (notadamente o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos e o Ministério da Promoção da Mulher, da Criança e das Pessoas Vulneráveis), a Comissão Nacional de Direitos Humanos, ONGs de direitos humanos locais e internacionais, a mídia e representantes das famílias das vítimas, teve como foco os casos. ECW/CCJ/APP/18/19 – Alhousseine Camara v. Guiné decidido em maio de 2019 e ECW/CCJ/JUD/10/18 – Bintou Cissé v. Guiné Decidido em abril de 2018. Os participantes avaliaram o nível de implementação das decisões nos casos em questão e elaboraram estratégias para o envolvimento de todas as partes interessadas visando sua plena implementação.
Cabe lembrar que, no primeiro caso, Alhousseine Camara (representado pela IHRDA e pela MDT) foi torturado por forças da Gendarmaria em 2011, enquanto estava sob custódia, ficando incapacitado e impossibilitado de trabalhar. Embora tenham sido iniciados processos judiciais perante os tribunais nacionais, nenhuma medida foi tomada para investigar as violações, e os perpetradores não foram punidos. Em maio de 2019, o Tribunal da CEDEAO declarou que a Guiné violou os direitos de Alhousseine à liberdade e à proteção contra a tortura, e ordenou que a Guiné lhe pagasse uma indenização no valor de US$ 103.000.
No segundo caso, a IHRDA e a MDT, em nome de Bintou Cissé (representante da família da vítima), alegaram a tortura e morte de J. Morris – um liberiano – enquanto estava sob custódia de quatro (4) oficiais da Brigada da Guiné. Embora as autoridades da Brigada tenham marcado os oficiais acusados para interrogatório, estes não compareceram e nada foi feito para obrigá-los a depor. Em abril de 2018, o Tribunal da CEDEAO considerou a Guiné culpada de violar o direito da vítima à vida e a um julgamento justo, e ordenou que a Guiné pagasse uma indenização de cerca de 84.000 dólares americanos à família.
“A falta de implementação das decisões judiciais põe em risco os direitos das vítimas. Este diálogo é um fórum para que as principais partes interessadas identifiquem e reflitam em conjunto sobre os obstáculos ao cumprimento, por parte do Estado, das decisões judiciais e elaborem estratégias para defender a sua plena implementação”, observou Désiré Bigirimana, Oficial Jurídica Sênior da IHRDA.
O diálogo público insere-se no âmbito de um projeto apoiado pela Open Society Foundations para fortalecer a responsabilização em matéria de direitos humanos através do cumprimento, por parte dos Estados, das decisões dos mecanismos africanos de direitos humanos. Este evento surge na sequência de iniciativas semelhantes organizadas pela IHRDA em [local omitido]. Camarões em maio de 2024 e Serra Leoa Em março de 2024.

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